Notícias, reportagens, entrevistas, tutoriais, downloads e curiosidades sobre o universo M.U.G.E.N. e Ikemen

O Ilusionista, uma fábrica de criações

Citado por 10 em cada 10 makers, Douglas Baldan faz parte da história do Mugen

7 261

O seu nome é Douglas Baldan. Mas ele é mais conhecido como “O Ilusionista”. O nick é marcante e muito apropriado para o que ele representa no cenário do Mugen nacional. Citado em 10 a cada 10 makers, Douglas é um dos maiores criadores de Mugen, reconhecido no Brasil e internacionalmente.

E o começo não foi muito fácil. Mas ele continua na ativa e produzindo, com muita qualidade. Até quando? Eu pergunto a ele: “Já pensei em parar várias vezes. Enquanto eu me divertir nisso, estarei aqui 🙂 O dia em que isso não for mais divertido pra mim, eu paro e boa”. E nós agradecemos Ilusionista.

O que não falta é história com o Ilusionista, afinal, ele o criador brasileiro mais antigo ainda na ativa no Mugen.

Mas quem é “O Ilusionista”?

Douglas Baldan é Paulista, 42 anos e Diretor de Arte. O pseudônimo vem desde a adolescência, quando o usava para escrever: “eu gostava de fazer ilusões com as palavras, revela.

Como todo entrevistado, ficamos curiosos sobre o primeiro contato com games na infância.

“Eita, faz um tempo. Eu me lembro de jogar Atari 2600 numa TV em Preto e Branco ainda, com o jogo Frostbite”.

Frostbite é um game lançado para o console Atari 2600 pela Activision, em 1983. O nome do jogo deriva da mesma palavra em inglês, “Frostbite” que significa algo como “o congelamento do corpo em temperaturas muito baixas.

 E os games de luta entraram na vida de Douglas na mesma época, com o game Boxing, também do Atari: “Aquele que você via os personagens de cima e eles pareciam dois caranguejos”.

Mas a coisa virou pra valer com o jogo Yie Air Kung Fu, do Arcade. “Eu joguei muito aquilo”.

Eu tinha esse cartucho, joguei ele até cansar e jogo ele até hoje. Então é o Fighting Master

Douglas Baldan Maker Mugen

Eu pergunto se, diante de tantos jogos, Douglas consegue eleger um preferido. Em relação a jogabilidade, ele escolhe a série Marvel Vs Capcom, especialmente o MVC1: “Eu acho que eles foram perdendo a mão nos outros”.

Ele também faz menção a Street Fighter, Mortal Kombat, entre outros. Mas para a surpresa, o seu game favorito é o Fighting Masters, do console Mega Drive.

“Pior que tá nos meus planos desde sempre, rs. Cheguei a fazer uns cenários do jogo pra Mugen. E pretendo, um dia, fazer um beat Em Up”.

O começo no Mugen

Fighting Masters

O Ilusionista lembra que conheceu um engine anterior ao Mugen, chamada KOF91. “Mas era horrível. Era tão ruim que o personagem não podia se virar. Mesmo assim eu achava fantástico poder fazer essas coisas. Eu cheguei até criar uma Nude Felícia diverte-se.

Nesta mesma época ele ouvir falar do Mugen. Era uma novidade e muito complicado para usar. “era muito superior e mais difícil de mexer. Aí decidi ir atrás”. O desafio foi aceito.

As primeiras criações

Douglas começou o Mugen desde o seu lançamento, em 1999.

Eu sou da Velha Guarda. Se não me falha a memória, eu sou o criador brasileiro mais velho ainda na ativa (ainda criando algo) no Mugen. E do mundo também. Tem uns 3 ou 5 nomes que ainda estão na ativa e são do meu tempo. Existem nomes dessa época que hoje não trabalham mais com isso, mas ainda participam.

Douglas Baldan Maker Mugen

 

Para dimensionar as dificuldades da época, Douglas cita a inexistência de banda larga no Brasil no fim da década de 90. Para se ter uma ideia, o Google era lançado 1 ano antes, na sua forma primária. E o YouTube sequer existia. Foi lançado somente em 2005.

“Para pesquisar na internet, eu usava sites como o Cadê, Altavista, etc. Rede social? Nem existia. A gente usava o mIRC, na #Brasnet.”

O mIRC é um programa shareware, criado em 1995 para o Windows, com a finalidade principal de ser um programa de chat utilizando o protocolo IRC, onde é possível conversar com milhões de pessoas de diferentes partes do mundo. Já  o #BrasNET foi criada em 1997. Teve seu domínio como BrasNET.org. Além do acesso ao IRC a rede proporcionava ao usuário uma conta de e-mail para cada registro.

Isso sem contar que para ripar os sprites era muito complicado. Douglas diz que as ferramentas do Mugen, e a própria engine eram tudo em MS-DOS.

“Todas as imagens precisavam ter a mesma paleta de cores, por exemplo. Era um PESADELO”.

O primeiro personagem

O nome de “O Ilusionista” é muito citado na comunidade. Com certa modéstia, Douglas afirma: “Eu fico feliz que as pessoas ainda lembrem desse velho aqui”.

O primeiro personagem foi um tanto que curioso: O “meleca”. “Ele era, como diz o nome, uma meleca ocre. Parecia um tom de cocô mole”.

O personagem foi desenhado no aplicativo MS Paint, do Windows 98. “Consegue imaginar a maravilha que era? Mesmo assim, eu fiquei maravilhado com aquilo, mas achei um pouco complicado e voltei pro KOF91”. Infelizmente, hoje não existem imagens do personagem.

KOF91

Mas Douglas não desistiu completamente da engine. Continuava acompanhando as novidades através de antigas comunidades como a Mugen Eleven.

O retorno ao Mugen

Em 2001, Douglas decidiu se aventurar novamente pelo Mugen.

Eu decidi dar outra chance pro Mugen por volta de 2001, foi quando eu conheci a MugenBR. Lembro de alguns nomes da época, como RyouWin, amigo a mais de 20 anos, Ex-Inferis, outro das antigas que de vez em nunca eu falo, Carnificina, Akirabr, entre outros. E gostei.

Douglas Baldan Maker Mugen

 

Logo veio o primeiro personagem completo: Alsion III, do jogo Breakers Revenge. “Mas nem perca seu tempo, ele é HORRÍVEL”.

MB-02
Alsion III
Alsion III

O Ilusionista tem, aproximadamente, 100 criações no Mugen. Mas o que o tornou conhecido foi o personagem MB-02, que era um edit robótico do Sagat, com pele vermelha.

“Ele faz parte de um projeto chamado Street Fighter Spec Ops, que nunca terminei – tem o status de projeto mais antigo do Mugen (2002) por causa disso, risos”. Aliás, Spec Ops é o projeto de maior orgulho do Maker.

Novos ares no Mugen

Com a nova geração do Mugen, surgem projetos ambiciosos como o 3D. E o que Douglas Baldan pensa disso?

Para ele o Mugen não dá suporte nativo a 3D, então, tudo o que está sendo criado são ou gráficos pré-renderizados.

“eu mesmo fiz um chamado Illusion Palace, no Cinema 4D, e efeito que simulam 3D, como parallax, etc”.

Para ele nada tira o charme das gerações 8 e 16bits. “acho que foram as melhores inclusive. Vi alguns projetos de Mugen em 3D (como o EF-12), mas não foram pra frente. Recentemente tinha uma pessoa disponibilizando um “Mugen 3D na Steam”, mas foi removido”, conclui.

Ele acredita que apesar disso, há espaço pra tudo. Porém o 2D ainda é a área nativa do Mugen. Sobre as novas engines, como o Ikemen e o Mugen Hook, Douglas ainda não teve tempo de avaliar.

Consegue eleger um Screenpack e um char preferido?

“Hum, pergunta difícil. Não tenho um Screenpack preferido, mas dou preferência por aqueles que possuem o portrait dos personagens e que a barra de power fica na parte de cima – acho que fica mais limpo assim”.

Personagem preferido... difícil escolher um. Eu seria até injusto em escolher, porque é tanta coisa, de tanta gente... Um que me marcou foi o Evil Ken, do Reu (que infelizmente não está mais entre nós, que acabou falecendo num acidente de barco).

E suas criações, Douglas consegue favoritar algum?

“O MB-02 pelo motivo que expliquei acima, e o Pica-Pau, que veio do jogo do Mega Drive, porque ele ganhou como Personagem do Mês na Mugen Fighters Guild em fevereiro de 2017.

Rivalidades na comunidade

Douglas Baldan tem opinião forte e gosta de defende-las. Depois de tanto tempo contribuindo para o Mugen, ele avalia a comunidade. “Sempre houve umas tretas, algumas homéricas – eu mesmo participei de várias, sou um imã para brigas, hahahah. É que eu sempre fui de defender os meus amigos de verdade, então acabava comprando briga dos outros. Hoje, com mais idade, eu não faço mais isso – aprendi que ignorar é a melhor coisa”.

Para ele, o nível dos conflitos chegou a um nível bem bizarro. E uma das coisas que contribuíram para isso foi a comunidade de Mortal Kombat.

Eu acho que é a mais tóxica de todas. É incrível como a galera está SEMPRE brigando, sempre. Cheguei a fazer parte (fiz alguns materiais voltados ao MK), mas desisti por causa disso. A galera não consegue se dar bem, é inacreditável. Apesar que, muitas vezes, eles estão com a razão.

A longevidade do Mugen

E qual o segredo que torna o Mugen tão amado até hoje? “A facilidade”, avalia Douglas.

“Eu conheço muita gente que hoje trabalha profissionalmente com games (seja desenvolvimento, seja pixel art) que constantemente diz que o Mugen foi uma escola pra eles – pra mim mesmo foi também”.

Ele diz que conheceu um desenvolvedor de jogos que está usando o jogo em Unity, mas que ele diz usar Mugen para prototipar mais rapidamente.

“O que faz sentido, devido à facilidade. Hoje em dia, isso está ainda mais fácil, já que você tem muita coisa já ripada pra usar. Sem falar que pixel é vida e Mugen roda em praticamente tudo, até naquele Pc do Milhão”.

Fundação da Brazil Mugen Team e o Fighter Factory

Em 5 de fevereiro de 2002, Douglas fundou a Brazil Mugen Team. A quipe era grande, mas hoje conta apenas com O Ilusionista e Ethan Lives.

 

Além disso ele é um dos contribuidores do Fighter Factory: “Sou o beta tester oficial da ferramenta por décadas, desde quando se chamava ZCharCad ainda”.

Outras façanhas do maker inclui o fato de ter sido moderador e, posteriormente administrador, do fórum MugenBR, entre 2002-2011, um dos maiores fóruns de Mugen do Brasil na época.

Algumas das contribuições no Mugen

  • Dao Long EX
  • Bob Wilson (1ª versão)
  • Falcon Ex
  • MB-02 (versão antiga, com SodonHID) – Street Fighter Spec Ops
  • Pocket O Ilusionista
  • Saizo Hattori
  • Bob Wilson Ex
  • Shin Kazuma
  • MB-02 (segunda versão, com Ethan Lives) – Street Fighter Spec Ops
  • Tufão mexicano – Operações de especificações do Street Fighter
  • Red Cyclone – Street Fighter Spec Ops
  • Anita ( versão Super Marvel vs Capcom Eternity of Heroes )
  • Capitão Comando Clássico
  • Gato preto
  • Wadafak
  • Elec Man (Rockman Battle Arena / Robot Master Mayhem)
  • Shadow Man  (Capcom Figthing All-Stars / Robot Master Mayhem)
  • Pocket M.Bison ( Pocket Dimensional Clash )
  • Pocket Alfred Airhawk  ( Pocket Dimensional Clash )
  • Pocket Hulk  ( conflito dimensional de bolso )
  • Pocket Reayon  ( conflito dimensional de bolso )
  • Pocket Classic Mega Man  ( Pocket Dimensional Clash )
  • Pocket Drácula  ( conflito dimensional de bolso )
  • Pocket Meka Dragon  ( Pocket Dimensional Clash )
  • Pocket Krang  ( conflito dimensional de bolso )
  • Empilhadeira Pocket Bonus  ( Pocket Dimensional Clash )
  • Box Boxer (Kirtby, a batalha dos sonhos)
  • Golem (Kirtby, a batalha dos sonhos)
  • Mega Man  (Kirtby, a batalha dos sonhos)
  • Sr. Frosty  (Kirtby, a batalha dos sonhos)
  • Tedhaun  (Kirtby, a batalha dos sonhos)
  • Ivan Ooze
  • Giant Spiders (Super Nostalgia Wars / Battle Stormer Classics)
  • Golias
  • Invocar demônio (clássicos do Battle Stormer)
  • Richter Belmont  (clássicos do Battle Stormer)
  • Giru  (clássicos do Battle Stormer)
  • Aggar  (clássicos do Battle Stormer)
  • Demônio de fogo  (clássicos do Battle Stormer)
  • Minotauro  (clássicos do Battle Stormer)
  • Succubus  (clássicos do Battle Stormer)
  • Violator  (clássicos do Battle Stormer)
  • Bomb Man (Mega Man Powered Up REMIX)
  • Elec Man  (Mega Man Powered Up REMIX)
  • Mega Man X  (Mega Man Powered Up REMIX)
  • Lava Boss (clássicos do Battle Stormer)
  • Robot Guard  (clássicos do Battle Stormer)
  • Famardy

Eu sou o homem dos projetos. Se eles vão pra frente, são outros quinhentos…hahahaha.

“Dentre as coisas que estou mexendo atualmente, destaco o Mega Man Robot Mater Mayhem, que deve ser atualizado por volta de agosto”, promete.

Douglas gosta de experimentar e testar as engines: “Eu fico alternando como o Mugen, OpenBOR, Godot…mas tenho mexido bastante com OpenBOR e me dedicado ao meu projeto Avengers United Battle Force – um beat em up que é uma continuação espiritual do jogo Capitain America and Avengers do arcade”. Vale a pena conhecer.

Quais makers te inspiram e você gostaria de ver sendo entrevistado no site?

“Um deles vc já entrevistou – Ryon Win. Teria uma galera das antigas que eu preciso ver se conseguimos ainda contactar, como Ex-Inferis, Shadowtak, etc. Acho que eu posso sugerir dois nomes para vc:  VirtualTek (criador do Fighter Factory e meu amigo de décadas) e Zvitor.


Contatos

Site

Canal do YouTube

Twitter

Facebook

Instagram

Patreon

Não seria possível incluir na entrevista todos os personagens, stages e jogos completos que Douglas Baldan, O Ilusionista produziu. Acesse seus canais e fique por dentro de todo o seu trabalho.
Você pode gostar também
  1. […] tenho um único char ou screenpack favorito, mas gosto dos trabalhos de O Ilusionista, Loganir, zVitor, Balthazar e Wou. Felizmente, a maioria desses guerreiros seguem firmes e fortes […]

  2. […] sou um dinossauro da comunidade, como O Ilusionista. Fiz meus primeiros movimentos com a criação de […]

  3. […] Douglas Baldan é um grande amigo de […]

  4. […] Douglas Baldan, o Ilusionista, ao cede seu personagem Shadow Man e o Shadow Man Stage. Visitem o site […]

  5. […] Douglas Baldan, o Ilusionista, ao cede seu personagem Shadow Man e o Shadow Man Stage. Visitem o site […]

  6. […] Loganir, Ryou Win, O Ilusionista, ZVitor, Gladiacloud, Ucash (criador do Motoqueiro Fantasma), Hanibbal (criador do primeiro […]

  7. […] posso me arriscar a dizer que Zvitor está na história do Mugen brasileiro junto com makers como O Ilusionista e Ryou Win. E esta história teve início nos anos 2000, quase junto com o lançamento da primeira […]

Deixe uma resposta

Seu endereço de email não será publicado.