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A multiplicidade de Ryou Win – Parte 1

Se você não relacionou o nome, talvez seja hora de entender a grandiosidade da contribuição que makers.

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Ryou Win é, sem sobras de dúvidas, um dos grandes criadores no Mugen. Se você não relacionou o nome, talvez seja hora de entender a grandiosidade da contribuição que makers, como Ryou Win, trouxe para a comunidade. Só para citar alguns exemplos: o sistema “Tag Team”, lutar em quipe, durante a luta, tem um “dedo” do Ryou Win. Mas suas criações vão além disso.

Amingo, Marrow, Sonson, Ruby Heart, Tron Bonne, Servibot (abandonado,  por enquanto), Kung Fu Marvel, Blair Dame, Poison, She-ra e Alloy. E como co-criador, Emma Frost White Queen (X-Men).

 

 

Além de dois Screenpacks: MvC2 e outro, no tema RoboCop. E Robocop é uma paixão antiga dele:

“Eu sou só um cara que queria um jogo de Robocop no estilo Marvel versus Capcom ninguém mais estava fazendo”.

Desta idealização, surgiram o projeto de RoboCops: RoboCop, RoboCop HD, ED-209, ED-209 HD, RoboCain, IronSuit, IronSuit HD, R2 Prototype A, Bone Machine, NeuroBrain, Automat (R2 Prototype B), RoboCable e o Policial de Aço Jiban.

Todos as criações de Ryou Win podem ser encontradas aqui.

“A verdade é que, quando se está empolgado, você quer converter TUDO para Mugen! Mas não se deve abraçar o mundo! Nosso tempo é finito comparado a nossa vontade. Nosso tempo flui como água e a vida adulta é um cano com muitos buracos! Minha maior criação seria um modo de fazer tudo mais rápido”.

São muitas criações e, com certeza, você deve ter usado um char de Ryou Win. Mas quem é este carioca de 46 anos?

Ele diz que é “o cara que instala Windows Vista nas máquinas do serviço público”. Com uma boa dose de humor, complementa: “A gente ganha pouco, mas se diverte!”.

Sua história com jogos de luta começou com o game de arcade Karatê Champ, de 1984. “Aquela que se joga com duas alavancas pra cada um. Tem uma dessas no filme “O Último Dragão Branco””, relembra.

O site IGN inclui Karatê Champ na lista de dez mais influentes jogos de todos os tempos.

Porém, como todo gamer, um bom game nunca sai da memória. É o caso de Pong, do Telejogo Philco: “eu o vi pela primeira vez em uma exposição em 1982, no Colégio Rio da Prata”. Mas sua paixão mesmo foi Street Fighter 2. “de 3 botões ao lado do Casino Bangu (RJ)”.

Não por acaso, seu apelido vem do Street Fighter: “É ‘Ryu’ + ‘You Win'”, revela. Então logo surgiu outro game de luta que despertou grande interesse, Marvel vs Capcom: “Joguei quase tudo o que veio antes. Mas foi nesse que eu me dedicava para disputar”.

Karatê Champ

O começo no Mugen

No final de junho, lá em 2000, um colega revelou a Ryou Win um jogo onde “poderia jogar com o Ken contra o Megaman”.

Achei que ele estava querendo me enganar e estava pronto para zoá-lo da mesma forma que zoamos o moleque que jurava que tinha visto Double Dragon para o Atari! (Aliás, 2 anos depois descobri que existe Double Dragon pra Atari! Se você que zoei está lendo isso, espero que encontre um espaço em seu coração para perdoar este tonto arrependido!) ... exigi provas e ele me apresentou ao tal programa. Foi amor à primeira vista... pelo Mugen!

Ryou Win Maker Mugen

Em agosto no mesmo, Ryou Win passou por uma apendicite e aproveitou metade deste tempo jogando e procurando personagens para Mugen. “No fim do ano, cheguei à conclusão de que já era hora de fazer os meus”. Decisão acertada!

Logo veio o primeiro projeto: o personagem Cable do Marvel vs Capcom 2. “O jogo ainda era novidade e a máquina era difícil de se encontrar. Emulador? Nem pensar!

Mas eu queria ter meu próprio MvC2, então tentei juntar os personagens mais parecidos que eu pude encontrar. Achei um Cable do oriental “Kman” (que tinha pouco mais do que uma dúzia de quadros!) e me pus a continuá-lo“.

Ryou Win explica que não foi bem uma continuação, pois o personagem está nem inacabado: “Estava mais pra uma inspiração do que para uma base! Tentei contato com o Kman para pedir permissão e perguntá-lo se tinha mais material. Ele nunca respondeu”.

Focado no projeto, resolveu terminar o Cable por conta própria. Juntou tudo o que conseguiu de figuras e sons. Mas a ideia mudou completamente quando decidiu outro caminho: recortar direto de vídeos!

“Era super trabalhoso e haviam poucos vídeos grandes e de qualidade (como o formato MOV da Apple). Geralmente só se achava vídeos muito compactados e de baixa qualidade em MPEG ou ASF”.

Mesmo assim consegui completar 3 personagens neste esquema: Cable, Jill Valentine e Hayato Kanzaki.

 

Como a qualidade das imagens era irregular ou de baixa definição, foi a época que ficaram conhecidos como os “aqueles chars de PAPELÃO do Ryou Win Win” e por muito tempo foram a única versão desses personagens.

O sistema Tag-Team

Sobre o sistem Tag-Team, Ryou Win explica: “E o sistema de luta de duplas simplesmente não funcionava para mim (os dois personagens da dupla ao mesmo tempo na tela). Aí eu tentei fazer um “agarrão” em que o outro personagem, em vez de ser jogado no chão, simplesmente ficasse do lado de fora esperando a vez dele”.

Ele afirma que no começo era um pesadelo, porque a maioria das pessoas não gostam de programar os “agarrões”, ainda mais com comandos embutidos. Outro ponto negativo é que, os comandos da “vítima”, não funcionam quando esta está sendo agarrada, complementa.

O sistema Tag-Team do Mugen tem uma contribuição do Ryou Win: Especial duplo, voadora de troca e invocação de ajudante.

Vale lembrar que, o Mugen, por padrão, controla os personagens p3 e P4. “Fui fazendo na tentativa e erro e consegui fazer um agarrão que funcionasse logo no início do round”.

DEPOIS PROGRAMEI UMA VOADORA DE ENTRADA E UM PULO DE SAÍDA DENTRO DESTE MESMO AGARRÃO E INCLUÍ ESSE SISTEMA NO CABLE.

O novo sistema de Tag-Team sistema serviu de inspiração (ou protótipo) para muitos sistemas de tag-team feitos por outros makers.

O hayato e a Jill herdaram. E ainda criei um arquivo de texto para as pessoas adaptarem nos seus próprios personagens baixados e tornar a interação mais divertida, Porque o sistema funciona melhor se os dois lados estiverem usando. Mas com o tempo eu consegui diminuir o número de modificações que precisava fazer nos próprios personagens.

Ryou Win Maker Mugen

“Antes de começar a Ruby Heart, já havia um emulador de Dreamcast (que a minha máquina NÃO rodava) e alguma boa alma liberou packs com os sprites dos personagens. Atualizei os meus e vi nascerem concorrentes, usando ou não meu código. Me incomodei, claro”.

Mas a atenção de Ryou Win estava em outro lugar agora: “já que peguei confiança e acumulei bagagem, resolvi começar meu tão sonhado jogo de RoboCops! Afinal já tinha alguém fazendo os personagens que eu queria, então eu tinha de me focar nos outros que eu queria, mas não via ninguém mais fazendo”.

A verdade é que, quando se está empolgado, você quer converter TUDO para Mugen! Mas não se deve abraçar o mundo! Nosso tempo é finito comparado a nossa vontade. Nosso tempo flui como água e a vida adulta é um cano com muitos buracos! Minha maior criação seria um modo de fazer tudo mais rápido!

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Confira a parte 2 desta entrevista

A multiplicidade de Ryou Win – Parte 2

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  4. […] deles vc já entrevistou – Ryon Win. Teria uma galera das antigas que eu preciso ver se conseguimos ainda contactar, como Ex-Inferis, […]

  5. […] o gostei da entrevista com o Ryou Win , foi muito da […]

  6. pseudoingles Diz

    Putzgrila
    Parabéns cara
    Muito legal o sistema tag
    Continue firme nesse projeto robocop vai ficar show de bola!!!

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