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Diogo Barros, o criador do Mugen para Android

Além do Mugen Android Emulator, o programador Diogo barros conta com muitos outros projetos ambiciosos no Mugen.

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Como um bom debutante no Mugen, comecei a pesquisar as novidades sobre a engine. Na minha cabeça seria fantástico seu alguém pudesse converter o Mugen para smartphones. E para a minha surpresa, a possibilidade existe desde 2017 pelas mãos de Diogo Barros.

E o cara é fera mesmo. O estudante de Direito de 24 anos, e gaúcho de Santa Maria, já tem muitas criações e projetos no Mugen. Eu pergunto a ele se é programador. E com modéstia ele me respondeu:

“Eu não me considero programador, mas as outras pessoas consideram, então creio que eu seja”.

Para entender o começo disso tudo, Diogo falou sobre seu início nos games.

Mugen Android Emulator.

O início nos games

O primeiro contato com games surgiu com o jogo Super Mario World, depois veio o Power Rangers, ambos no SNES (16 bits): “O Super Nintendo foi meu primeiro Vídeo Game, mas com o passar do tempo, eu testei todos os outros vídeos games retrô, como a última versão do Atari”.

E gosto muito também de uns KOF que existem para PS2, como aquele 3D e o KOFXI

Diogo Barros Programador e Maker Mugen

Diogo também lembra com carinho do NES (Nintendo 8 bits), tanto com emulador chinês, quanto em versão portátil. Além do PS1, Dreamcast, GameCube, Nintendo 64, PS2, Neogeo, nos fliperamas e no NeoRAGEx (emulador), do Windows e do Mame.

Foi então que conheceu games de luta através do clássico The King Of Fighters 97 e do Marvels Vs. Capcom, nos arcades dos shoppings. Mas o game de luta preferido dele é o Dragon Ball Budokai Tenkaichi 3.

 

Primeiro contato com o Mugen

O primeiro contato com o Mugen foi aos 11 anos, na casa de um amigo, com um jogo dos Cavaleiros do Zodíaco: “até hoje não encontrei este jogo. Mas acredito que seja um Mugen, pelos sprites e a quantidade vasta de personagens”.

Depois deles veio o Mugen do antigo MS-DOS que tinham apenas 5 personagens de Os Cavaleiro do Zodíaco. “Era meio que um teste de DOS Mugen. Joguei ele em um Windows 98”, conclui.

“Depois joguei um game incrível do Baixaki que era o Dragon Ball Vs. Others 3.  Joguei também o Dragonball Z Mugen Edition 2, um clássico de Mugen. Eu consegui ele em um CD que veio em uma revista Recreio, ou da Level Up, não me lembro bem”.

Dragon Ball vs Others 3.

 

Diogo também lembra do game  Naruto Shippuden. Mas o interesse maior pelo Mugen surgiu com o game Dragon Ball vs Others 3, quando fez o download pelo site Baixaki.

Primeiras criações

Diogo afirma que passou a maior parte da vida apenas jogando no Mugen. Poucos anos atrás ele diz que enjoou de apenas jogar. Além disso cita a falta de atualização de personagens. Foi então que começou a fazer as suas criações de personagens.

“Comecei a criar alguns personagens apenas por Sprite Swap, que estava em falta. Alguns personagens que eu nunca tinha visto no Mugen. Então eu queria criar, pois os queria dentro do meu jogo. Eu comecei a desenhar e faze-los”.

Sprite Swap é quando uma pessoa troca as sprites de um personagem para outro. Nada é alterado nos arquivos de estrutura do char, apenas troca de sprites. É uma “técnica” muito conhecida na comunidade Mugen.

Mas com o passar do tempo foi analisando os códigos e entendendo o funcionamento. Naturalmente, começaram a surgir algumas dificuldades iníciais:

Eu tinha um ataque em mente e queria imitar o desenho, mas não entendia os códigos. Então não conseguia reproduzir no personagem. Foi por meio de tentativa e erro foi aprendendo como funcionava cada códigos

Diogo Barros Programador e Maker Mugen

Dentre as suas contribuições para o Mugen, podemos citar:

Aliás, o Androx Engine é um projeto ambicioso que Digo diz ter abandonado por enquanto: ” abandonei por falta de conhecimento técnico, mas vou retomar a criar ele em menos de 1 mês”, promete o maker.

E o que seria o projeto? É um programa criado para criação de jogos, tentando ser superior ao Mugen. Este jogos podem ser criados pelo celular, pelo computador ou algumas outras plataformas.

Entre as opções disponíveis, está jogos de luta em 3D, jogos de Plataforma estilo Megaman, Super Mario, Metal Slug, jogos de luta estilo 2D, jogos de puzzle como “Cobrinha Snake clássico” ou “Tetris”. Além disso será possível jogar versus por meio de Bluetooth, por Lan, ou no próprio aparelho, em tela dividida.

Também será possível criar jogos Online utilizando dos 10 servidores disponíveis mantidos online pelo próprio Diogo.

Além disso, Diogo diz que criou alguns chars que não era pro seu canal.

O sumiço da Elecbyte

Perguntei se é possível haver alguma atualização importante no Mugen. diogo é categórico em dizer: “Não é possível. Como a ElecByte sumiu desde 2015, não atualiza e nem irá mais atualizar o Mugen. Nnunca teremos um port sem ser por emulação para outras plataformas pois não temos o source code e isso ocasiona um gigante problema pois não temos suporte mais. Caso o próprio programa tenha um BUG, nós teremos que arranjar uma outra forma de tentar burlar esse bug (eu já encontrei bugs no próprio Mugen)”.

Diogo também lembra que softwares de empresas grandes não liberam o source code, ao menos que o programa for Open Source.

Source Code, ou Código-fonte, é o conjunto de palavras ou símbolos escritos de forma ordenada, contendo instruções em uma das linguagens de programação existentes, de maneira lógica.  E Open Source  é um termo em inglês que significa código aberto. Isso diz respeito ao código-fonte de um software, que pode ser adaptado para diferentes fins.

Mas então como foi a façanha para converter o Mugen para Android?

O método que eu utilizei, traz um código, mas um código todo embaralhado, gigante e confuso. Ao mexer em uma palavra errada, vai resultar no programa ficar fechando o tempo todo ou nem abrir.

Basicamente, o Mugen Android Emulator é uma modificação tirada direto dos templates do site do Dosbox. Diogo afirma que já emulava MS-DOS no computador, e depois criou uma modificação dos templates lá do site do Dosbox, para emular o mugen no Android, porém era impossível de usar, com fps com taxa de quadros de 4 a 6 frames.

Você gosta das novidades no Mugen?

“Hoje em dia é legal quando surge um projeto diferente. O Falso 3D, por exemplo. Digo falso pois não chega a ser um 3D de verdade. Eu particularmente acho legal, mas tem coisas que não fazem parte da proposta do programa, como jogos de RPG, falsas plataformas que não vale apenas criar no mugen, e sim usar outras games engines como Game Maker, Unreal Engine, Godot ou Unity”.

Mugen 3D

Algum char ou screenpack favorito?

“Eu gosto muito do Orochi normal criado para mugen, sou fã daquele BOSS. SCREENPACK eu não sei dizer, nunca me apeguei. Só sei que não gosto de chars JUS”.

Tem rivalidade na comunidade do Mugen?

“Existe, mas é tudo uma atitude infantil. Essas briguinhas geram visualização. O problema é que a comunidade é pequena, então gera um pouco mais que o normal. Uns caras velhos, barbado, brigando por coisinha virtual de computador, pra mim é um bom entretenimento pois parece até coisa de filme, mas tem uma hora que satura e a gente deixa de acompanhar.
Se o problema é dinheiro, a pessoa precisa largar currículo por toda cidade e aceitar o primeiro emprego que pague um salário mínimo ou que pague perto disso”.

Qual o segredo do sucesso do Mugen?

Para Diogo, em pleno século 21, o Mugen continua sendo um dos melhores programas para montar um jogo de luta.

“Outra coisa que mantém ele extremamente vivo, é que as crianças da nova geração, não sabem o que é Mugen, acham que é qualquer jogo 2D e isto está muito errado. Então eles procuram versões de mugen para celular, mas ele não existe para celular, só tem como utilizar usando o Mugen Android Emulator ou o Exagear“.

Na opinião do Diogo, os novatos no Mugen se impressionam com jogos lotados de personagens dos desenhos que elas assistem. Mas elas não sabem que a maioria dos jogos tendem a ser completamente desbalanceados, os autores pegam um monte de personagem da internet, e se aquele personagem for mais forte no anime/desenho, eles colocam os damages dos ataques lá em cima, isso torna o jogo competitivo.

Uma dica preciosa para começar a criar no Mugen?

Primeiro entender o que é um plano cartesiano. Depois como que funciona os personagens de mugen.
Internamente.
Depois abrir com Fighter Factory com qualquer personagem de Mugen para poder ver os códigos. Então assistir meu tutorial, bem humorado, que ele encaminha qualquer pessoa pro lado da criação no Mugen entendendo o básico, depois é só ir na tentativa e no erro, com o Google Tradutor do lado que a pessoa consegue criar qualquer coisa.

 

Alguns projetos em andamento?

Estou com varios projetos, mas não quanto ao Mugen. No Mugen tenho apenas o Androx que está parado e o Mugen Android Openset v.0.2, que vou deixar uma outra versão depois que eu lançar minha própria engine chamada Astarout Engine (não é feita para jogos de luta 2D).

O mugen android openset, tem a capacidade de converter qualquer char de Mugen 1.1 para mugen de MS-DOS ou para meu Mugen Hybrido ( Um Mix do MS_DOS com Winmugen )

Quem gostaria de ver sendo entrevistado?

Gostaria de ver alguém seguindo meu projeto de criar personagens de DragonBall Super para mugen, sem ser JUS, personagem jus é mais fácil de fazer. O DragonBall super irá retornar ano que vem.

O Luiz17 Mugen, Joeflizz, LegendTTA, Nostalgic 3D Mugen, o próprio Mugen Mundo, que criou muito char que usei, CloudStriffe, Balthazar Z2 Mugen Team. Tem também o Ian Miguel também, o melhor programador Mugen.

Diogo Barros, definitivamente, é uma figura importante no cenário do Mugen, um cara bom de papo no qual eu adorei conversar. Ele também gosta de aprender e escrever no seu site que já conta com 111 mil acessos.

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